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Câncer é o tipo de assunto que preferimos não pensar. Ao ouvir tal palavra, imediatamente milhares de pensamentos negativos vem a nossa cabeça. Logo no começo de 50% nós presenciamos essa cena. Qual seria a sua reação ao receber a notícia de que está com câncer? Assim como Adam, acredito que a partir do momento em que o doutor dissesse “você tem câncer” eu me desligaria dali e tudo de ruim passaria pela minha mente. É claro que não ouvimos os pensamentos na cabeça dele, mas está lá pra quem quiser ver. Com a fala do doutor abafada, é só a expressão facial de Adam que nos importa.
É claro que câncer define uma pessoa, durante todo o filme Adam é o “the cancer guy” a não ser bem no começo – antes de receber a notícia – quando somos apresentados ao Adam que não diz o que pensa, que é passivo a tudo que é imposto a ele, que não faz sexo com sua namorada há 3 semanas e não reclama com ela sobre isso. Você deve estar aí achando que com a doença Adam viraria uma nova pessoa: daria um pé na namorada, começaria a dizer tudo que vem à mente, mandaria o chefe pra um lugar não muito legal. Mas acontece que na vida real as pessoas continuam as mesmas, elas só estão doentes.
Ninguém melhor do que Will Reiser (responsável pelo roteiro) para tratar de tal assunto com tamanha veracidade. Levemente inspirado em sua própria experiência com a doença, 50% é um filme sobre câncer sim, com a visão de um comediante daquilo tudo que aconteceu na sua vida. Para trazer mais realidade à estória temos Seth Rogen interpretando uma versão esteriotipada de si mesmo (sob o nome de Kyle) que por incrível que pareça não é o loser que estamos acostumados a vê-lo interpretar. Fundamental ao sucesso da obra é a direção leve de Jonathan Levine que não imprime estilismos desnecessários ao filme e o conduz da maneira que deve ser conduzido.

Apesar do roteiro ser notável, é em Jospeh Gordon-Levitt que econtramos a verdadeira força da trama. Joseph explora o seu personagem – riquíssimo, diga-se – até não poder mais, ele não faz as mesmas expressões de hesitação a todo momento, ele não engole um sapo do mesmo jeito. Através do seu olhar e da sua linguagem corporal conseguimos enxergar o que cada passagem representa para Adam. Os diálogos desconfortáveis com Kate (Anna Kendrick) são tão verossímeis no que diz respeito às emoções sentidas pelos dois que – como dito no filme – são marinheiros de primeira viagem: ele com o câncer e ela em lidar com um paciente numa condição muito grave. E se Gordon-Levitt é brilhante internalizando suas emoções, o que dizer de quando ele externaliza? Parece que ficamos o filme inteiro esperando pra ele gritar com alguém ou chorar e isso demora tanto a acontecer que quando acontece nós não estamos preparados e nos sentimos tão desestabilizados quanto ele.
Termino esse texto fazendo referência a uma cena do filme que eu vou carregar pelo resto da minha vida. Quando Adam está para fazer a cirurgia que curará (ou não) o seu câncer, numa sequência muito rápida – assim como a vida – ele está na maca esperando e num estalo diz a seguinte frase para o seu pai: Olha, eu sei que é difícil entender o que está acontecendo, mas eu queria que você soubesse que eu te amo muito. O pai de Adam tem Alzheimer e dificilmente entende tudo o que acontece durante o filme, mas aquilo tem tanto significado que até ele entendeu. Cinema pra mim é isso, é sentimento, é toque. Fico muito feliz quando percebo que filmes ainda são feitos para tocar as pessoas. 50% foi lançado aqui – infelizmente – diretamente em DVD, então corre para a locadora mais próxima de você conferir esse filme que – como um amigo meu me disse – vai te fazer pensar.



Finalmente peguei coragem pra ver esse filme. A história parecia muito dark pra mim e sabendo do final, eu quis evitar a experiência ao máximo. Cedi e me ferrei. Não sei bem a que conclusão cheguei, mas sei que fiquei bem intrigado. Não sei se Brandon Teena fazia o que fazia (mentia, roubava, iludia as garotas) pra se auto-afirmar e se convencer cada vez mais daquela realidade ou se ele além de ser um homem preso no corpo de uma mulher, era um homem egoísta e que agia mal porque queria. Não vejo mesmo justificativa para roubos de carro e outros delitos que apareceram no filme.
